Imagens de passeio por Nova Iorque, com visita ao Moma (Museum of Modern Art).
08 Fevereiro 2010
01 Fevereiro 2010
A propósito do Fórum Social Mundial e algumas alarvidades escritas no 5 dias
O apoio financeiro de duas empresas energéticas ao Fórum Social Mundial é o ponto de partida para Renato Teixeira disparar alarvemente contra o FSM no blog 5 Dias. Por mim, colocaria essa questão num plano um pouco mais amplo: dificilmente o FSM seria possível sem o apoio do PT: a nível das autarquias (como Porto Alegre ou Belém do Pará), do governo, ou das empresas públicas que o financiam. Todas essas ligações - e em particular as ligações às empresas referidas - são altamente questionáveis e criticáveis. E essa discussão tem existido, dentro e fora do Fórum, desde o seu nascimento. Não é nova essa crítica aqui apontada, mas também não se encontrou alternativa nestes dez anos. Podia-se, talvez, ter simplesmente desistido do Fórum, em nome desses "amanhãs que cantam" que tanto parecem entusiasmar o Renato, remetendo uma qualquer solução para as "novas gerações de Seattle" que estarão por vir.
Outra coisa é dizer que o FSM tenha sido "domesticado" , que se limite a apregoar "bons conselhos para a perpetuação do sistema de dominação" ou que "os profetas contra o pensamento único passaram a ser o mais dócil bastião das políticas hegemónicas". Pelo contrário: as profundas transformações no panorama político da América Latina nos últimos dez anos, com partidos de esquerda a assumir o poder em vários países, não só eram impensáveis há dez anos atrás, como teriam sido impossíveis sem o suporte do FSM. Foram os insuspeitos Hugo Chavez e Evo Morales quem o afirmou, num comício a que tive oportunidade de assistir no Fórum do ano passado, em Belém do Pará.
De resto, também pude verificar que o FSM não saiu das ruas: mais de cem mil pessoas atravessaram no ano passado as ruas de Belém do Pará, com muitos milhares de índios, de camponeses, de sindicalistas, de economistas, de feministas, de activistas de todas as causas. Contra o capitalismo, com todas as letras. O FSM é um processo complexo, com resultados evidentemente limitados e processos de construção altamente discutíveis. Mas afirmar que "o FSM mais não foi do que o bordel barato da esquerda nova" é apenas uma alarvidade: a mesma que Berlusconi utiliza quando se refere ao "bordel anti-globalização". Afinal, o populismo de esquerda do Renato e o de direita do Berlusconi gostam de usar as mesmas metáforas.
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24 Janeiro 2010
Fracas ideias para o emprego
O rotundo falhanço do governo nas suas medidas de promoção do emprego foi evidenciado pelos resultados do programa "Emprego 2009" e as expectativas para o futuro imediato não são melhores: a ministra quer um olhar "refrescado" mas só apresenta ideias requentadas. E garante que o desemprego vai continuar a subir, sabe-se lá até quando. Daqui não virá nada de novo, como seria de esperar. Surpreende-me mais a falta de ideias e de propostas do Bloco de Esquerda sobre o assunto.Ver texto completo
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23 Janeiro 2010
Desemprego 2010
Layoff: Chewing Gum from Spam Cartoon on Vimeo.
Depois do rotundo fracasso da "Iniciativa Emprego 2009", o governo apresentou a "Iniciativa Emprego 2010". Mudou entretanto a ministra, com a chegada de Helena André, mas as suas declarações e propostas apenas parecem sugerir que, para o governo, o emprego é uma batalha a perder: a ministra não tem "varinha mágica" para conhecer a evolução do desemprego mas garante que ele vai aumentar este ano e pede um olhar "refrescado" sobre o número de desempregados mas apresenta propostas requentadas para a criação de postos de trabalho.
Ver texto completo. Publicado no blog dos Precários Inflexíveis
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20 Janeiro 2010
Mais de um ano de campanha presidencial
Manuel Alegre não é um candidato que una a esquerda: não une o PS, não une o BE, não une os independentes e se alguma união pode provocar numa estrutura partidária será na sua unânime rejeição pelos militantes do PCP, mesmo que ela não se manifeste publicamente. É por isso que a sua candidatura foi lançada agora, ainda mal saídos de um ano completo em permanente processo eleitoral, para lançar nova campanha para umas eleições que se realização daqui a mais de um ano. Espero que o ano e meio de campanha de Alegre seja de facto um espaço de mobilização de vontades para políticas alternativas ao que Sócrates e a direita têm a propor. Se for apenas o tempo necessário para condicionar o aparecimento de outros candidatos e preparar a digestão do batráquio a engolir no dia de ir a votos, prefiro dispensar o repasto.Ver texto completo
23 Dezembro 2009
17 Dezembro 2009
Istambul, Europa
Istambul é uma cidade com um ritmo intenso: mais de 12 milhões de pessoas em movimento por uma cidade imensa que se distribui por dois continentes, com enorme diversidade de origens, difícil de encontrar noutras geografias: além dos turistas das mais variadas proveniências, a população turca inclui as minorias grega, arménia ou curda. A população turca é bastante jovem e isso nota-se mais à noite, todas as noites, na convivência de homens e mulheres, animados pelas mesmas bebidas que encontraríamos em qualquer cidade europeia. Istambul é também uma cidade com grande actividade turística, num país que está entre os dez maiores destinos de viagem no mundo, quer em termos de visitantes, quer de receitas. A Turquia tornou-se o único país de maioria muçulmana a ter um estado laico.Ver texto completo, publicado no Barlavento.
15 Dezembro 2009
Topkapi e Cistern (Istambul)
Harém dos sultões otomanos, em IstambulVi o cajado de Moisés, as espadas de David ou de Ali, uma pegada e alguns pelos das barbas de Maomé e a chave da Kaaba de Jerusalém, entre outras preciosidades - e pedras preciosas - expostas no Palácio Topkapi, em Istambul. O Palácio, com o seu grandioso e majestoso Harém - foi residência dos sultões otomanos e centro administrativo de Istambul.
Também visitei a cisterna mandada construir pelo Imperador Romano Justiniano, no séc. VI, para abastecer Istambul com a água da Floresta de Belgrado, a 19 kms de distância. Duas misteriosas cabeças de Medusa encontram-se na base de duas das 336 colunas de mármore desta cisterna subterrânea.
Para quem tiver curiosidade e paciência, há aqui muitas fotos.
14 Dezembro 2009
Documentário, Arte, Política
As relações entre o documentário e a arte foram o tema da conferência que encerrou o Festival de Documentários de Istambul, este fim de semana. Numa das intervenções mais interessantes e bem recebidas do debate, a realizadora portuguesa de Susana Sousa Dias apresentou uma breve análise da evolução histórica da produção de documentários. Na última intervenção da tarde, o dinamarquês Tue Steen Muller lembrou que na Dinamarca a lei obriga a que pelo menos 25% dos filmes exibidos se destinem a filmes infantis e afirmou que "o documentário será útil se nos permitir aprender alguma coisa". Apresentou então "10 minuts older". Ver texto completo.
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13 Dezembro 2009
A propósito de Copenhague: os movimentos alter-globais anti-capitalistas e o poder
Apontamentos acumulados depois da participação no Fórum Social Mundial (Belém do Pará, Janeiro de 2009), Assembleias Preparatórias do Fórum Social Europeu (Viena, Istambul e Diyarbakir, ao longo de 2009), Fórum Social da Mesopotâmia (Diyarbakir, Setembro de 2009) e Manifestação contra a reunião do FMI e Banco Mundial (Istambul, Outubro de 2009): se a energia e a criatividade que são evidentes nas manifestações alter-globalistas da Europa sugerem que toda a esperança é legítima para um outro mundo possível, muito parece estar por aprender com as experiências da América Latina.
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06 Dezembro 2009
"Natureza Morta"
Imagens da ditadura portuguesa sem a opressão das palavras: o filme "Natureza Morta", de Susana Sousa Dias, é um excelente documentário construído a partir de fotografias de presos políticos e de imagens de arquivo do regime salazarista. Meia dúzia de linhas escritas introduzem o filme e em 72 minutos não há falas, só imagens e sons, meticulosamente articulados. É um filme de rara beleza e originalidade, que mostra com clareza o suporte do regime salazarista, a brutalidade da absurda guerra colonial e a alegria da liberdade que veio com a Revolução de Abril. Este excelente trabalho foi financiado em França e na Alemanha, o que não deixa de ser sintomático da dificuldade portuguesa em lidar com a sua História contemporânea.
04 Dezembro 2009
Futebol em Istambul
Fiz uma pequena incursão no futebol turco, para assistir a um dos grandes clássicos destas geografias, entre o Galatasary e o Panathinaikos, com todo o peso da história de uma rivalidade greco-turca que afinal não se manifestou: talvez porque do resultado do jogo já pouco dependesse (o empate garantiria o apuramento das duas equipas para a fase seguinte da Liga Europa), não consegui vislumbrar adeptos gregos no estádio. O ambiente era de festa da equipa da casa, que celebrou o primeiro lugar no grupo e destruiu todas os preconceitos que eu pudesse ter sobre o mau feitio dos adeptos turcos: mesmo quando o Galatasaray marcou um golo por volta dos 15 minutos, validado com apito e celebrado pela equipa da casa e o seu público, para depois ser invalidado após uma pequena conversa entre o árbitro e um dos seus assistentes, o que é sempre coisa para indispor a massa associativa, os ânimos não se alteraram tragicamente nas bancadas: nem arremesso de objectos, nem ameaças de invasão de campo, e mesmo quando algum adepto mais exaltado evocou, em inglês, a mãe do árbitro, foi para lhe chamar "prostituta", o que não deixa de ter alguma elegância tendo em conta o ambiente javardolas característico dos estádios de futebol. De resto, como em todo o lado aqui por Istambul, a segurança era apertada para entrar no estádio: fui zelosamente revistado duas vezes e acabei por ser gentilmente despojado de uma caneta, um isqueiro e três ou quatro liras em moedas. Apesar de algum aperto nas cadeiras do velho estádio do Galatasary, era razoavelmente confortável a bancada onde fiquei instalado, mediante o pagamento de uns 60 euros, com fácil acesso a casas de banho bastante higiénicas e um restaurante de serviço só para aquela zona do estádio. Estava sentado sensivelmente a meio campo e, apesar de preferir uma posição um pouco mais elevada, tinha excelente perspectiva sobre o terreno de jogo, onde se defrontaram duas equipas treinadas por holandeses, que por acaso ainda há pouco tempo estavam juntos no Barcelona, quando treinava Rijkard (agora no Galatasaray) e seu adjunto era ten Cate (agora no Panathinaikos). Conheciam-se bem, as equipas, e apresentaram-se ambas num 4X3X3 de grande equilíbrio a meio campo e com poucas oportunidades de golo, apesar do evidente ascendente territorial da equipa da casa. Reencontrei Katsouranis e Karagounis, dois ex-benfiquistas que agora voltaram a Atenas, mas que se apresentaram em posições diferentes das que lhes conhecia: Karagounis jogou numa das posições ofensivas, começando à direita e deslocando-se depois para a esquerda, e Katsouranis jogou a médio direito. Depois de sofrer o golo, Katsouranis foi substituído, Karagounis veio para o meio campo e entrou para o ataque um jogador chamado Hristodoulopoulos. Debalde: o Panathinaikos não chegou a criar grande perigo e Karagounis sairia uns minutos depois, ele que também no Benfica não era homem para 90 minutos. Foi a primeira vez que vi a minha equipa adoptiva em território turco a jogar em casa, mas já os tinha visto na Luz ganhar dois a zero ao Benfica, mesmo sem jogarem grande coisa. Agora estão melhor.
03 Dezembro 2009
02 Dezembro 2009
Sol, mar e desemprego
A crise económica global teve impactos significativos sobre as actividades turísticas no mundo. A lenta recuperação das economias vai ter ainda mais lentos efeitos sobre as despesas em viagens e lazer, que não são essenciais. Os destinos turísticos de "sol-e-mar" são os mais afectados e perderão mais empregos no próximo ano. No Algarve, a "Capital da Cultura" e o "Allgarve" foram programas recentes financiados com avultados recursos públicos que não contribuíram para diversificar a economia regional ou sequer a sua oferta turística. Quem paga por isto são as pessoas que perderam os seus empregos este ano e as que o vão perder no ano que vem.Ver texto completo (em inglês)
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01 Dezembro 2009
DOC: Comunitários (2004) está online
O documentário que produzi e realizei em 2004, sobre a pesca e os pescadores nas margens do Guadiana, está disponível aqui, em versão integral. Inclui entrevistas a pescadores, responsáveis pelas lotas, investigadores e entidades gestoras das pescas no Algarve e na Andaluzia. Tem cerca de 52 minutos.
24 Novembro 2009
Turismo, comunidade, cultura, criatividade

Um milhão de camas, 25 milhões de turistas e 2.300 milhões de dólares de rendimento por ano: a Turquia é um dos dez maiores destinos turísticos do Mundo e Istambul é um dos principais centros dessa actividade no país. O turismo da cidade vive do património e da cultura e esta massificação arrisca-se a colidir com a preservação do património histórico, tal como a massificação do turismo de praia colide com a preservação das características ecológicas dos territórios. Em 2010, Istambul será a primeira cidade exterior à UE a assumir-se como Capital Europeia da Cultura e a Universidade de Bogazici promoveu um seminário internacional dedicado à ligação entre o turismo, a cultura e a criatividade nas cidades: "Cities as Creative Spaces for Cultural Tourism".
Ver texto completo
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23 Novembro 2009
21 Novembro 2009
Filmes portugueses em Istambul
Fui hoje ver alguns filmes do Indie Lisboa que estão em exibição em Istambul, no Pera Muzesi, num ciclo chamado "Filmes Portugueses". Estavam umas trinta pessoas em cada uma das sessões a que assisti. A primeira foi excelente e a segunda uma lástima. Amanhã vou ver as "Ruínas" do Manuel Mozos, que é de confiança.
A primeira foi excelente: "Movimentos Perpétuos - Um tributo a Carlos Paredes" é uma história em 17 andamentos onde se cruza a vida do maior executante da guitarra portuguesa com a do próprio país, no registo muito próprio de Edgar Pêra, que conjuga imagens de arquivo e outras actuais, com um tratamento que as torna semelhantes e pouco limpas. São imagens construídas sobre a música de Paredes, com entrevistas ao guitarrista e a outras pessoas que acompanharam o seu percurso, artístico, pessoal e político. "Podemos perdoar mas não podemos esquecer", diz-se a certa altura. Obrigado Carlos Paredes. E obrigado também Edgar Pêra, por este olhar sobre a nossa história recente construída a partir dos sons da guitarra do Mestre.
Já a segunda sessão, com cinco curtas metragens do último Indie Lisboa, foi uma lástima, com excepção do primeiro filme, "Crime / Abismo Azul / Remorso Físico", um singular olhar olhar de Edgar Pêra, em 11 minutos, sobre a vida e Obra do pintor português Amadeo de Sousa Cardoso, que viria a morrer com 30 anos, no início do século XX, consagrado no estrangeiro e insultado em Portugal.
Depois começou o desastre, com "Visionary Irak", onde dois jovens exibem um superficial olhar sobre a história de Portugal, a guerra e a democracia. Falam inglês e a legendagem para português era uma verdadeira lástima, cheia de erros ortográficos (espero que a turca estivesse melhor, já agora). Depois veio "Roupão Vermelho", um filme "estúpido e muito infantil", como poderia dizer a graciosa actriz que o anima com a sua nudez quase permanente. Algumas pessoas começaram a sair da sala, mas aguentei os quinze minutos, à espera da animação "Pássaros", de Filipe Abrantes. Não valeu o esforço e mais gente saiu. Fiquei para o último, "Arca d'Água", que consegue ser uma seca monumental, proeza difícil num filme de 22 minutos.
Felizmente ninguém na sala sabia que eu era português e me veio pedir explicações. A rua Istiklal estava mesmo ali ao lado e foi porreiro sair para uma volta pela multidão de Istambul. Com essa, pode-se sempre contar.
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Uma petição pela justiça no trabalho
Petição à Assembleia da República solicitando a regularização das situações injustas nas contribuições singulares para o sistema de Segurança Social, decorrentes da existência do falso trabalho autónomo
Calcula-se que o número de trabalhadores e trabalhadoras independentes a falsos recibos verdes atinja já os de cerca 900 mil. Desta enorme ilegalidade e injustiça decorre a subtracção de direitos previstos na legislação, como a protecção no desemprego, bem como a impossibilidade de usufruto dos direitos na doença e na parentalidade. A estes trabalhadores é também vedado, por não serem verificados os direitos devidos, o enquadramento legal dos períodos de descanso, bem como o acesso às remunerações associadas ao “subsídio de férias” ou ao “subsídio de Natal”.
Além de todos estes prejuízos, estes trabalhadores enfrentam ainda uma situação desigual na sua contribuição para o Sistema Previdencial de Segurança Social, que não existiria se fosse reconhecido, como deveria, o estatuto dependente do trabalho que desenvolvem. A entidade empregadora, que impõe uma falsa relação “cliente-fornecedor”, encontra-se poupada, no fundamental, da responsabilidade que lhe deveria competir. Os infractores são beneficiados em detrimento de centenas de milhar de trabalhadores e trabalhadoras.
É neste contexto que muitos destes trabalhadores vêem acumular-se dívidas por incumprimento das prestações para o Sistema Previdencial de Segurança Social, prejudicando o seu direito de contribuir para este instrumento solidário essencial. Abdicando ilegalmente da vinculação destes trabalhadores, as entidades empregadoras colocam em causa, desde logo, os seus direitos e garantias, prejudicando ainda a sustentabilidade do Sistema de Segurança Social, uma das bases essenciais da nossa vida democrática.
Assim, os signatários desta petição, em defesa do Sistema de Segurança Social e da reposição dos direitos dos e das trabalhadores e trabalhadoras independentes a falsos recibos verdes, solicitam que a Assembleia da República legisle no sentido de atingir os seguintes objectivos:
1. Quando é detectada uma dívida à Segurança Social, o Estado desenvolve as acções inspectivas que permitem aferir as condições em que aquela dívida foi contraída. Propomos que, verificando-se que a dívida foi contraída quando o trabalhador estava sujeito a falso trabalho independente, o ónus do pagamento da dívida recaia sobre as entidades empregadoras e o vínculo contratual seja reconhecido e convertido em contrato de trabalho sem termo ou, no caso dos trabalhadores intermitentes do espectáculo e do audiovisual, na forma contratual ajustada à sua situação. Os encargos deverão ser imputados às entidade empregadoras incumpridoras.
2. Que as medidas enunciadas no ponto anterior sejam aplicadas, de igual forma, nos casos em que os falsos trabalhadores independentes já pagaram as contribuições para a Segurança Social, cabendo às entidades empregadoras a reposição dos direitos indevidamente subtraídos a estes trabalhadores durante o período em causa.
Calcula-se que o número de trabalhadores e trabalhadoras independentes a falsos recibos verdes atinja já os de cerca 900 mil. Desta enorme ilegalidade e injustiça decorre a subtracção de direitos previstos na legislação, como a protecção no desemprego, bem como a impossibilidade de usufruto dos direitos na doença e na parentalidade. A estes trabalhadores é também vedado, por não serem verificados os direitos devidos, o enquadramento legal dos períodos de descanso, bem como o acesso às remunerações associadas ao “subsídio de férias” ou ao “subsídio de Natal”.
Além de todos estes prejuízos, estes trabalhadores enfrentam ainda uma situação desigual na sua contribuição para o Sistema Previdencial de Segurança Social, que não existiria se fosse reconhecido, como deveria, o estatuto dependente do trabalho que desenvolvem. A entidade empregadora, que impõe uma falsa relação “cliente-fornecedor”, encontra-se poupada, no fundamental, da responsabilidade que lhe deveria competir. Os infractores são beneficiados em detrimento de centenas de milhar de trabalhadores e trabalhadoras.
É neste contexto que muitos destes trabalhadores vêem acumular-se dívidas por incumprimento das prestações para o Sistema Previdencial de Segurança Social, prejudicando o seu direito de contribuir para este instrumento solidário essencial. Abdicando ilegalmente da vinculação destes trabalhadores, as entidades empregadoras colocam em causa, desde logo, os seus direitos e garantias, prejudicando ainda a sustentabilidade do Sistema de Segurança Social, uma das bases essenciais da nossa vida democrática.
Assim, os signatários desta petição, em defesa do Sistema de Segurança Social e da reposição dos direitos dos e das trabalhadores e trabalhadoras independentes a falsos recibos verdes, solicitam que a Assembleia da República legisle no sentido de atingir os seguintes objectivos:
1. Quando é detectada uma dívida à Segurança Social, o Estado desenvolve as acções inspectivas que permitem aferir as condições em que aquela dívida foi contraída. Propomos que, verificando-se que a dívida foi contraída quando o trabalhador estava sujeito a falso trabalho independente, o ónus do pagamento da dívida recaia sobre as entidades empregadoras e o vínculo contratual seja reconhecido e convertido em contrato de trabalho sem termo ou, no caso dos trabalhadores intermitentes do espectáculo e do audiovisual, na forma contratual ajustada à sua situação. Os encargos deverão ser imputados às entidade empregadoras incumpridoras.
2. Que as medidas enunciadas no ponto anterior sejam aplicadas, de igual forma, nos casos em que os falsos trabalhadores independentes já pagaram as contribuições para a Segurança Social, cabendo às entidades empregadoras a reposição dos direitos indevidamente subtraídos a estes trabalhadores durante o período em causa.
20 Novembro 2009
Festa no Bairro Alto, 21.30
Lançamento da petição "Antes da Dívida Temos Direitos", promovida por quatro organizações de trabalhadores precários.
15 Novembro 2009
Rede sobre migrações e refugiados
Reuniu pela segunda vez, em Istambul, um grupo de activistas que está a criar uma rede de reflexão e intervenção em torno das questões das migrações e dos refugiados. Estiveram presentes delegações da Grécia, Alemanha e França. A rede continuará a reunir quinzenalmente e brevemente terá um manifesto. As políticas europeias para as migrações, as fortalezas anti-imigrante que a UE está a promover nas suas fronteiras (nomeadamente na Grécia e na Turquia), os direitos dos refugiados ou a inserção e a defesa dos direitos dos imigrantes são alguns dos temas em discussão.
Fotografias aqui.
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12 Novembro 2009
Competitividade, internacionalização e salários baixos
Vieira da Silva trocou a pasta ministerial do Trabalho pela da Economia e já mostrou ao que vem: quer competitividade, internacionalização e salários baixos. A retórica já é conhecida e revela as perspectivas sombrias para quem tenta viver do seu trabalho em Portugal.Ver texto completo.
Publicado no site dos Precários Inflexíveis
10 Novembro 2009
09 Novembro 2009
A comunidade Alevi na Turquia
Não há dados oficiais, mas as estimativas mais prudentes apontam para cerca de 10 milhões de Alevis entre os 75 milhões de pessoas que constituem a população turca. No entanto, algumas associações Alevis estimam que esse número possa rondar os 25 milhões. A gigantesca manifestação realizada em Kadikoy, Istambul, no sábado passado, mostra, não só a grande dimensão desta comunidade na Turquia, mas também a sua capacidade de organização e mobilização. As principais reivindicações dos Alevis prendem-se com a liberdade de culto: obrigados a seguir nas escolas a educação religiosa segundo a tradição sunita largamente maioritária na Turquia, os Alevis exigem o reconhecimento da sua religião e a possibilidade do seu enquadramento no sistema de ensino. A defesa da igualdade entre homes e mulhares e a monogamia são duas importantes características da comunidade alevi, que a distinguem da generalidade das sociedades muçulmanas. Ver texto completo
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08 Novembro 2009
Manifestação Alevi em Istambul
Ali é a figura principal de culto da comunidade Alevi, que hoje promoveu uma manifestação com dezenas de milhar de participantes em Istambul. Os Alevis têm diferentes rituais religiosos, não utilizam mesquitas e recusam a educação religiosa de orientação sunita que é obrigatoriamente ministrada nas escolas turcas. A maioria dos Alevis reclama o laicismo de Ataturk para se defender da hegemonia sunita que prevalece na Turquia.
Um violento atentado perpetrado em 1993 no Hotel Madimax vitimou dezenas de activistas alevis, que hoje reivindicam a sua transformação em museu. Grande parte dos movimentos de esquerda turcos marcaram presença nesta manifestação, onde também estiveram activistas pró-curdos, numa altura em que estas duas minorias discutem com o governo turco o respeito pelas suas particularidades (no caso curdo mais ligadas à língua e no caso alevi mais ligadas às práticas religiosas)
Ver aqui 61 imagens da manifestação.
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