Fui hoje ver alguns filmes do Indie Lisboa que estão em exibição em Istambul, no Pera Muzesi, num ciclo chamado
"Filmes Portugueses". Estavam umas trinta pessoas em cada uma das sessões a que assisti. A primeira foi excelente e a segunda uma lástima. Amanhã vou ver as "Ruínas" do Manuel Mozos, que é de confiança.
A primeira foi excelente:
"Movimentos Perpétuos - Um tributo a Carlos Paredes" é uma história em 17 andamentos onde se cruza a vida do maior executante da guitarra portuguesa com a do próprio país, no registo muito próprio de Edgar Pêra, que conjuga imagens de arquivo e outras actuais, com um tratamento que as torna semelhantes e pouco limpas. São imagens construídas sobre a música de Paredes, com entrevistas ao guitarrista e a outras pessoas que acompanharam o seu percurso, artístico, pessoal e político. "Podemos perdoar mas não podemos esquecer", diz-se a certa altura. Obrigado Carlos Paredes. E obrigado também Edgar Pêra, por este olhar sobre a nossa história recente construída a partir dos sons da guitarra do Mestre.
Já a segunda sessão, com cinco curtas metragens do último Indie Lisboa, foi uma lástima, com excepção do primeiro filme, "Crime / Abismo Azul / Remorso Físico", um singular olhar olhar de Edgar Pêra, em 11 minutos, sobre a vida e Obra do pintor português Amadeo de Sousa Cardoso, que viria a morrer com 30 anos, no início do século XX, consagrado no estrangeiro e insultado em Portugal.
Depois começou o desastre, com "Visionary Irak", onde dois jovens exibem um superficial olhar sobre a história de Portugal, a guerra e a democracia. Falam inglês e a legendagem para português era uma verdadeira lástima, cheia de erros ortográficos (espero que a turca estivesse melhor, já agora). Depois veio "Roupão Vermelho", um filme "estúpido e muito infantil", como poderia dizer a graciosa actriz que o anima com a sua nudez quase permanente. Algumas pessoas começaram a sair da sala, mas aguentei os quinze minutos, à espera da animação "Pássaros", de Filipe Abrantes. Não valeu o esforço e mais gente saiu. Fiquei para o último, "Arca d'Água", que consegue ser uma seca monumental, proeza difícil num filme de 22 minutos.
Felizmente ninguém na sala sabia que eu era português e me veio pedir explicações. A rua Istiklal estava mesmo ali ao lado e foi porreiro sair para uma volta pela multidão de Istambul. Com essa, pode-se sempre contar.